Antes só do que mal acompanhado
Equilíbrio e bom senso devem ser a tônica de qualquer refeição e essa decisão começa pelo cardápio.
Seres gregários, buscamos união o tempo todo. Na decoração da casa é comum dispormos os objetos aos pares ou em grupos, quando escolhemos as peças do vestuário procuramos combiná-las entre si, ao decidir ter filhos também consideramos a possibilidade de meninos e meninas e essa tendência parece dominar a maioria das nossas escolhas. Com a alimentação não poderia ser diferente e sempre que pensamos em uma preparação logo nos perguntamos qual o melhor acompanhamento para ela, como se sozinha fosse incapaz de atender à nossa necessidade de comida.
Como temos demandas múltiplas, assim também deve ser o cardápio, mas é preciso estar atento para não cair em armadilhas que põem em risco a saúde. Na mesa, alguns acompanhamentos podem até agregar sabor, especialmente se tiverem uma história de felicidade na receita, mas não se justificam em matéria de saúde. Quem pode recusar uma fatia daquele bolo da vovó, o pudim que a mamãe fazia no Natal ou aquela carne que o tio preparava nas ocasiões especiais? Desses pratos ninguém escapa e nem é preciso. As refeições em família nutrem o corpo e a alma e fazem muita falta nos dias corridos da vida moderna.
Situação bem diferente é sugerir petiscos fritos como acompanhamento de uma feijoada, lascas de queijo em saladas de folhas verdes ou pudim de leite após o almoço. Sabendo que além do prazer o alimento precisa proporcionar nutrição adequada, estas combinações não se justificam, pois eliminam em grande parte esta possibilidade. Por estimularem um consumo excessivo de calorias ou impedirem a absorção de nutrientes necessários, devem ser evitados tanto quanto possível.
Equilíbrio e bom senso devem ser a tônica de qualquer refeição e essa decisão começa pelo cardápio. Um conhecimento básico sobre os alimentos e se necessário, um esclarecimento solicitado a um nutricionista são suficientes para se pensar em uma refeição saborosa e nutritiva, pois afinal temos o direito de receber dos alimentos o que eles tem de melhor.
*Nutricionista com especialização em Gerontologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Trabalha atualmente na Unimed de São José dos Campos, onde coordena o Programa de Reeducação Alimentar, atende consultas em ambulatório e ministra palestras em empresas.























